José de Freitas/PI,  25 de outubro de 2021
 
22 de junho de 2021 Informações da Postagem: Por Luís Silva Imprimir Postagem

Cultura: Conheça a história e conquistas de uma escrava negra e vitoriosa de José de Freitas

Casa de São Domingos, foto arquivo Fernando Freitas

Muito tem-se falado sobre a Casa-Grande de São Domingos, contudo, pouco ou nada se falou sobre mais de uma centena de mulheres e homens escravizados, que deram a sua força de trabalho para o engrandecimento das famílias de seus proprietários, durante mais de um século da história dessa fazenda. Gilberto Freyre (1900-1987), em seu “Casa Grande & Senzala”, de 1933, enxergou o negro além de um ser escravizado.

Assim, o presente texto, ainda que, de maneira superficial, é voltado para uma mulher escrava negra do São Domingos, que ocupava funções típicas entre as mulheres escravas, as que mantinham boas relacões com a “sinha-dona”, e desempenhavam atividades domésticas e de ama-de-leite. Em documento, encontram-se os nomes de Maria do Livramento e o de Gabriela, ambas nascidas, provavelmente, na primeira metade do século XIX, na fazenda São Domingos.

Desconhece-se como Livramento e Gabriela conseguiram a alforria, sabe-se que eram de completa confiança de seus proprietários, e eram negras filhas de escravos de dona Lina Leonor d’Almendra Freitas (1833-1918). Livramento e Gabriela eram mais favorecidas por terem contatos mais íntimos com a família de dona Lina e seus parentes, estabelecendo laços de afeição e gratidão. Elas permaneceram na Casa-Grande de São Domingos mesmo após o desaparecimento, por falecimento, de “sinhá-dona”, na segunda década do século XX, quando, então, constata-se o início da decadência do São Domingos.

Maria dos Prazeres (foto) arquivo Fernando Freitas


Mas no meio dessa história toda aparece Maria dos Prazeres (foto), mulher negra, jovem, filha da escrava forra Maria do Livramento, que conquistou uma vida “normal” no meio de uma sociedade pós escravista, porém ainda repleta de tabus e preconceitos contra negros e pobres, na primeira parte do século XX.  Dos Prazeres, como era conhecida, quebrou tabus e avançou  mental e espiritualmente na sociedade freitense, da segunda metade do século XX, tornando-se professora, numa época ainda de muitos preconceitos raciais em nosso país, estado e município.

Dos Prazeres estudou, e a pedido da mãe, tornou-se professora-diretora da primeira escola municipal rural de José de Freitas, criada em 1948, na gestão do então prefeito Edgar Freitas de Almendra Gaioso (1920-1968), na  fazenda São Domingos, então de propriedade de Dulce de Almendra Gayoso Franco de Sá (1889-1961), que recebera a Casa-Grande de São Domingos, em herança, de Lina Leonor d’Almendra Freitas. Mais tarde, Dos Prazeres casou-se e conquistou sua aposentadoria, vindo residir e viver na cidade de José de Freitas até o fim dos seus dias, no ano de 2018.

A Casa Grande de São Domingos, em José de Freitas-PI, foi tombada por sua importância cultural.
FUNDAC: Fundação Cultural do Piauí.
NOME ATRIBUÍDO: Casa-Grande de São Domingos.
LOCALIZAÇÃO: José de Freitas – PI.
RESOLUÇÃO DO TOMBAMENTO: N° 10.524 DE 25.04.2001.
LIVRO DO TOMBO: N° de insc. 37, 28.05.2001

DENÚNCIA:
A Casa-Grande de São Domingos encontra-se em total estado de abandono e numa degradação desastrosa, com paredes caindo e inteiramente surrupiada.

Fonte: Secretário de Meio Ambiente e Turismo-SEMAT , Membro da Academia Freitense de Letras, Ciências e Artes, Referência na História e Cultura de José de Freitas-Fernando de Almendra Freitas.

Paulo Craveiro News


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