José de Freitas/PI,  22 de novembro de 2020
 
24 de outubro de 2020 Informações da Postagem: Por Luís Silva Imprimir Postagem

Ex-vigário da paróquia de Nossa Srª do Livramento de José de Freitas é acusado de engravidar jovem e induzir ao aborto

A jovem Amanda Passo (pseudônimo), 24 anos, é natural da cidade de Nossa Senhora de Nazaré, na região Norte do Piauí, mas mora em Campo Maior há pelo menos dois anos. Ela relata que no começo de 2019, iniciou um relacionamento com o padre Alcindo Saraiva Martins, no qual gerou duas possíveis gravidezes e dois possíveis abortos, sendo um sugerido pelo próprio religioso.  

Amanda era integrante do coral da paróquia de Nossa Senhora de Nazaré, que na época, Alcindo Martins havia acabado de assumir. Segundo a jovem, tudo teve início quando o padre comentou uma foto dela, postada no “Story”, de um aplicativo de mensagens. Desde então o padre passou a elogiar as publicações de Amanda, que questionou o porquê de tanta atenção.

“Perguntei o porquê das mensagens, ele disse que não tinha uma explicação, que estava interessado, mas não tinha coragem de chegar até mim. Disse que o meu jeito tinha o encantado, ele mandava várias mensagens, começamos a conversar até que um dia ele disse que estava apaixonado, que já tinha namorado uma menina e que era muito discreto”, falou Amanda.

Padre Alcindo Saraiva Martins.

O NAMORO

As trocas de mensagens seguiram, até que em 19 de julho do ano passado, ela foi encontrar Alcindo, na casa paroquial em Nossa Senhora de Nazaré, onde o padre a pediu em namoro. Eles iniciaram o relacionamento que durou aproximadamente um ano e meio, e segundo Amanda, era muito conturbado. “Fomos mantendo esse relacionamento em meio a muitas brigas, por que pra mim era muito difícil aceitar a vida dele como padre, isso me frustrava. Era uma vida muito corrida, a gente brigava muito”, relatou

Amanda e Alcindo começaram a ficar bastante tempo juntos, tanto em Nazaré como em Campo Maior, as brigas também eram constantes, porque a jovem queria ter “um relacionamento aberto”, se “libertar do proibido”, mas segundo ela o padre tinha medo, mas que chegou a cogitar a possibilidade de deixar o sacerdócio para poder assumir a relação.

A jovem acabou desenvolvendo uma suposta gravidez, no final de dezembro de 2019. Segundo ela, o teste de farmácia havia dado positivo, e ao saber da possibilidade, Alcindo sugeriu que Amanda realizasse um aborto. “Quando eu fiz o teste de farmácia, deu positivo, ele falou que não estava preparado para ser pai. Ele disse: e se você tomasse remédio? Você vai tomando uns chás para ver se ‘desce’, se não você toma os remédios. Eu vou ficar com você, vou tomar conta de você”, relatou a jovem o que o padre lhe disse.

ABORTOS

Para interromper a possível gravidez, Amanda tomou misoprostol, medicamento usado também como abortivo. Amanda disse que tinha medo de perder Alcindo, que “a vontade de estar com ele, a paixão louca”, era maior.

Amanda contou que precisou ser atendida no Hospital Regional de Campo Maior, pois estava perdendo muito sangue, sob efeito do medicamento. Na ficha de atendimento do hospital, constam que a jovem foi atendida em classificação de risco e urgência e teve o diagnóstico de aborto.

Os dois continuaram juntos. A essa altura, o relacionamento já era de conhecimento de algumas pessoas, que segundo Amanda, gerou uma série de ataques contra ela, vindos de pessoas da comunidade de N. S. de Nazaré, que a acusavam de ser “destruidora da igreja e da vida do padre”.

De acordo com Amanda, uma segunda gravidez aconteceu em julho de 2020. Na época ela fez um teste de farmácia que deu positivo. Porém, um outro teste desta vez de sangue, realizado no hospital de Campo Maior, mostrou resultado contrário.

Depois disso, ainda segundo relatos da jovem, ela precisou ser atendida no hospital de Campo Maior, pois havia tomado alguns remédios. Na ficha de atendimento do dia 24 de julho de 2020, veio o diagnóstico de um possível abortamento. Alcindo foi informado sobre o que tinha acontecido, mas não acreditou. “Ele disse que era tudo uma invenção, que eu tinha fingido o aborto. Ele tinha consciência que eu tinha tomado os remédios, tanto na primeira vez como na segunda, mas não se importou”, contou Amanda.

Amanda relatou, que procurou a diocese de Campo Maior, contou toda a história, porque se sentia injustiçada. “Eu queria que ele assumisse, enquanto homem e enquanto padre, o que tinha feito. E não deixar um monte de pessoas me julgando, dizendo que eu tinha acabado com a vida dele, sendo que foi o contrário”, disparou a jovem.

Mesmo contando toda a história para a diocese, Amanda alega que não teve nenhuma resposta.

O QUE DIZEM OS CITADOS

O Em Foco entrou em contato com o padre Alcindo Saraiva Martins, por meio de seu número de celular, mas não consegiu falar com o mesmo. O site também procurou a diocese para comentar o assunto, mas não teve resposta até a publicação desta matéria. O espaço está aberto para esclarecimentos.

FICHAS DE ATENDIMENTO:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

A Diocese de Campo Maior, tendo em vista os fatos divulgados na mídia e que envolvem a pessoa do Padre Alcindo Saraiva Martins, incardinado nesta diocese, presta os seguintes esclarecimentos:

  1. Em meados de julho deste ano, Dom Francisco de Assis, bispo diocesano, recebeu a jovem na Cúria Diocesana. Ela alegava ter possuído um relacionamento com o sacerdote e que estaria grávida. O senhor bispo então pediu que ela apresentasse provas do que havia denunciado.
  2. Em uma conversa posterior com o sacerdote, ele não nega o envolvimento, porém contestou a tese de gravidez e aborto.
  3. Dias depois, a jovem entregou ao bispo diocesano uma carta escrita e assinada por ela, afirmando que nunca esteve grávida, e que, consequentemente, não houve aborto. Na carta, ela ainda afirma ter usado a gravidez como argumento para continuar mantendo uma relação com o sacerdote.
  4. No dia 12 de agosto de 2020, considerando as graves denúncias, o atentado ao sexto mandamento e que não houve atentado à vida, o bispo diocesano determinou por meio de decreto a suspensão das funções do sacerdote como pároco da Paróquia de Nossa Senhora de Nazaré, ficando ele proibido do uso de ordens em todo o território diocesano. O decreto ainda determinou a obrigação do padre em realizar um tirocínio espiritual extra muro de pelo menos 15 dias, a apresentação do seu cronograma de acompanhamento terapêutico sob o enfoque da psicoterapia do equilíbrio emocional, a perda de suas funções como padre referencial para o Setor Juvenil da diocese, a perda da função de instrutor de disciplina acadêmica no Seminário Propedêutico Diocesano, a suspensão do ofício de chanceler, e que ficasse proibido de falar sobre o assunto.
  5. Em novo decreto publicado no dia 18 de setembro, Dom Francisco decidiu pela permanência de sua desvinculação de qualquer atividade pastoral e assessorias local ou regional, ficando ele ainda proibido de assistir ou ministrar sacramentos, participar de lives nas redes sociais, e a permanecer em silêncio público sobre o fato, bem como assumir a inteira culpa pelo desgaste a Igreja e às pessoas de boa fé. Foi-lhe autorizado o uso de ordens apenas no território da Paróquia de Nossa Senhora de Nazaré após o dia 1 de outubro e estabelecido a assinatura de um termo se comprometendo a realizar a ruptura com pessoas e fatos que provocaram vergonha e escândalo aos fiéis católicos desta Igreja Diocesana.

Conclama o bispo de Campo Maior à oração e penitência e reafirma o posicionamento desta diocese em defesa da vida. Voltemos o nosso olhar para Deus, que ao mesmo tempo é Justiça e Misericórdia.

Fonte: Campo Maior em Foco


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